sábado, 31 de janeiro de 2009

PARADIGMA NEWTONIANO CARTESIANO

Paradigma é sinônimo de modelo, padrão ou norma, algo que serve como parâmetro de referência, como um semáforo ou uma estrutura considerada ideal ou merecedora de ser seguida. Um paradigma representa um entendimento, um acordo aceito por todos para seguir, interpretar ou entender qualquer coisa: um objeto, um fenômeno, um conceito ou um conjunto de idéias, que tanto pode ser na área cientifica, trabalhista, doutrinaria, religiosa ou na que for. Assim, por representar um entendimento, quando um paradigma é aceito passa a ser a única verdade reconhecida nos meios em que ele é adotado. Foi o físico Thomas S. Khun que o utilizou como um termo cientifico em seu livro “A Estrutura das Revoluções Científicas”, publicado em 1962. Segundo ele, a palavra paradigma pretende afirmar que determinados exemplos da prática científica atual seja na teoria como na aplicação, estão amarrados a modelos conceptuais de mundo dos quais surgem tradições de pesquisas que determinam idéias e comportamentos. Em outras palavras, são os princípios normatizados pelo paradigma que está em vigor que determinam como devem ser compreendidos ou interpretados intelectualmente os aspectos desse mesmo mundo.
Por exemplo, a ciência já foi dominada pelo pensamento geocêntrico de Cláudio Ptolomeu - astrônomo, matemático, e geógrafo grego do século II d.C., autor de “Composição Matemática e de Geografia” – porque foram seus apótemas que influenciaram o conhecimento científico durante a idade média e o renascimento. Afirmava que o planeta terra estava suspenso no centro do mundo, num ponto fixo – geocêntrismo – e sua teoria foi tida como uma verdade incontestável até o advento do heliocentrismo, o sistema proposto por Copérnico e Galileu. O paradigma Ptolomáico, entendido, aceito e defendido como verdadeiro também pela Corte de Roma, considerou Galileu Galilei herege porque afirmou que era o sol, e não a terra, o centro do universo. Só não foi queimado na fogueira porque em 1633 abjurou sua crença diante do tribunal da inquisição.
Mas, porque a corte de Roma acreditava que a teoria de Cláudio Ptolomeu, o geocêntrismo, era uma verdade incontestável? Porque, segundo eles, como encontrava respaldo na bíblia, refletia a palavra de Deus:
Livro de Josué 10:12-13= Josué falou ao Senhor no dia em que ele entregou os amorreus nas mãos dos filhos de Israel, e disse em presença dos israelitas: “Sol, detém-te sobre Gabaon. E tu, ó lua, sobre o vale de Ajalon”. E sol parou, e a lua não se moveu até que o povo se vingou de seus inimigos. Isto se acha escrito no Livro do Justo. O sol parou no meio do céu, e não se apressou a pôr-se pelo espaço de quase um dia inteiro.
Portanto, se a “palavra de Deus” afirmava que Josué parou o sol, como um leigo, mesmo sendo um cientista, ousava afiançar que não era o sol que girava ao redor da terra, mas era esta que girava ao redor dele?
Este paradigma, na época, foi responsável por uma produção intelectual coerente com a visão de mundo que afirmava que a terra era o centro do universo. Portanto, mesmo na esfera cientifica, quem afirmasse que a terra era apenas um entre os milhões de outros planetas, ou era considerado louco, ou ignorante.
Posteriormente, as observações astronômicas que vieram a ser feita utilizando instrumentos óticos mais potentes, demonstraram que a teoria do geocêntrismo era falha. Por isso, pouco a pouco foi sendo substituída, mesmo com a intensa e violenta resistência dos sábios que continuavam defendendo o antigo paradigma.
Este modelo, por sua vez, com o avanço da astronomia, demonstrou-se imperfeito e foi aperfeiçoado com a descoberta da gravitação universal da física newtoniana. Mais tarde, mais uma vez, este paradigma foi vagarosamente remodelado pela Mecânica Quântica e a Teoria da Relatividade, sempre, porem, sob o intenso bombardeio e forte resistência daqueles cientistas que se haviam formado na cartilha clássica de Newton, e de tal modo, seguidores da sua visão mecanicista da natureza.
Cada uma dessas teorias científicas foi bem sucedida enquanto permaneceu verdadeira e contribuiu para melhorar a compreensão da realidade física, uma vez que condicionavam as atitudes e estabeleciam os critérios de pesquisa, mantendo-os quase sempre amarrados ao modelo de como se esperava, ou acreditava que o mundo funcionasse. Melhor dizendo, de acordo com o novo paradigma estabelecido.
Percebe-se, portanto, que a ciência não é um processo de descobertas, assemelha mais a um método de construção sempre intelectualmente coerente com aquilo que os homens pensam e já assumiram como verdadeiro. Em outras palavras, a ciência constrói sempre sobre fundamentos filosóficos bem definidos, mesmo se estes ainda não são claro e não respondem conclusivamente. Sendo esta a metodologia, é sempre o paradigma vigente que determina o enfoque que deve ser dado a qualquer visão de mundo, mesmo se há outros approachs igualmente possíveis e do mesmo modo coerentes, porque é tido como absoluto e verdadeiro como o é um dogma da igreja no sentido que, depois de definido, discuti-lo ou contrariá-lo é uma heresia.
Inserido neste contexto, o universitário que se prepara para se tornar cientista já é treinado ao longo de seus estudos a pensar, pesquisar, agir e falar, dentro dos critérios do paradigma estabelecido, assim sendo, ele não tem alternativa a não ser participar do sistema. Ainda assim, se em um determinado momento às suas pesquisas o levam a abraçar idéias alem dos limites do paradigma, em um primeiro momento e visto com desconfiança, e se insiste, depois de ser rotulado de esotérico ou ocultistas, é descartado. Em contrapartida, aceitar e se manter nos trilhos impostos pelo paradigma corresponde a ser aceito pela comunidade cientifica, a ter acesso a financiamentos, doações, fundos de pesquisas etc., em outras palavras, a lucrar e prosperar que é a premissa do renascentismo ou materialismo - posição filosófica que considera à matéria como única realidade e conseqüentemente nega a existência da alma, de outras vidas, e até de Deus. Exemplo:

Enquanto o planeta esquenta por causa da ação perigosa do homem no ambiente, a temperatura também aumenta nos laboratórios, onde investimentos governamentais e privados incitam uma corrida informal por novas tecnologias que possam mitigar o problema e coibir a emissão de carbono na atmosfera, principalmente o gás carbônico, produto da geração de energia tal como o homem a conhece hoje. Na raia contraria corre o físico Robert Socolow, professor na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. Ele e o ecólogo Steve Pacala, da mesma instituição, publicaram no ano passado no periódico cientifico “Science”, a sugestão de que o mundo deve investir em terrenos já conhecidos, ou seja, no paradigma vigente. Segundo os dois, a humanidade possui suficiente conhecimento para limitar as emissões de gás carbono nos próximos 50 anos – conselho dado às nações pelo “Painel Intergovernamental de Mudança Climática” (IPCC), ligado às Nações Unidas, para lidarem com o problema climático neste século.
Dentro da Universidade, Socolow, dirige um projeto “Iniciativa para Mitigação do Carbono”, que recebe US$. 2 milhões por ano das companhias Ford – automobilística, e BP – petrolífera, para propor caminhos que unifiquem o ciclo do carbono com políticas e tecnologias contra as mudanças climáticas.
Fonte: Jornal “O Estado de São Paulo” do dia 13 de março de 2005:

Os movimentos literários, artísticos e científicos que se verificou nos séculos XV e XVI, chamado renascença, carregou em si mesmo o despertar da concepção do lucro - concepção que foi desenvolvida e praticada pelo comerciante burguês renascentista - tornando-se o marco de ruptura com os valores e as idéias até então praticadas, o que quer dizer, ao longo da idade considerada medieval.
A partir desta nova concepção, o comerciante burguês abandonou a metodologia até então praticada que era a de apenas remunerar seu trabalho, substituindo-a pelo conceito de lucratividade máxima, passando, assim, a expressar uma nova tendência: a acumulação de bens, a diferenciação individual e finalmente a ostentação. Esta nova filosofia, entretanto, possui uma contra partida: o consumidor tem que desembolsar sempre o máximo por tudo o que deseja.
A diferenciação individual, o primeiro degrau da ostentação, em um segundo momento se tornou o precursor do consumismo e este, para ser atendido, ordenou uma profunda reorganização industrial que passou a se viabilizar através da racionalização e maximização da escala produtiva. Contudo, este novo ciclo exigiu muito mais, e para satisfazê-lo, a ciência e a tecnologia tiveram que ser chamadas para auxiliar o enfrentamento dos novos desafios. Logo, porem, tornou-se evidente que para continuar crescendo era imprescindível investir e pesquisar ininterruptamente.
Neste contexto, a filosofia também teve que assumir a sua parte, e para fazê-la, foi obrigada a cortar o cordão umbilical que a prendia a forma de ver e pensar que até aquele momento considerava valida e desenvolver teses que se adaptassem as novas exigências.
O resultado deste ímpeto consumista – o crescimento das vendas exigia um crescimento equivalente ao nível da produção - logo demonstrou que em médio prazo, se determinadas medidas não fossem urgentemente implementadas, acabaria se asfixiando em si mesmo: para não ter que enfrentar problemas de continuidade era imprescindível ampliar a expectativa de sobrevivência humana, não só para garantir o consumo da crescente oferta dos bens produzidos, mas para atender, concomitantemente, à crescente demanda de mão de obra. Este aspecto, no entanto, só era passível de solução através de um urgente desenvolvimento médico-científico, em outras palavras, investimentos e pesquisas para desenvolver drogas medicinais e bons médicos para receitá-las, porque desde o grego Hipócrates, 500 a.C., a medicina era tradicionalmente praticada por metodologias similares às que hoje são chamadas alternativas. Em contra partida, acreditava-se, a maior produção de bens garantiria melhores condições de vida para toda a sociedade, desde que, ao mesmo tempo, os hábitos sociais fosses alterados através dos estímulos apropriados.
No século XVII, quando a racionalidade das ciências passou a ser utilizada de forma prática rumo a industrialização, tornou-se obvio que era imperativo, de uma vez por todas, buscar as verdades absolutas, e através destas, a capacidade de desvendar as leis naturais do mundo físico para desenvolver metodologias capazes de prever, controlar e explorar a natureza com o intuito de extrair dela, como coisa objetiva e morta, os recursos necessários para continuar produzindo e multiplicando os postos de trabalho para construir, sobre binômio capital e trabalho, um acumulo cada vez maior de riqueza em todas as classes sociais.
O principio do consumismo havia sido implantado, tratava-se, agora, de continuar investindo na ciência mecanicista para garantir o permanente desenvolvimento de tecnologias, não só com a finalidade de produzir cada vez mais, mas de tornar os métodos de exploração da natureza cada vez mais eficientes, uma vez que, acreditavam, a fonte destes recursos era inesgotável. Só muito mais tarde os efeitos da poluição, do esgotamento dos recursos naturais e da devastação ambiental começaram a chamar atenção. Já naquela epoca a ciência, por acreditar que detinha o poder para explorar e controlar a natureza como quisesse - sem ser por ela subjugada – não se intimidou e continuou investindo no seu paradigma.
Este pensamento abriu o caminho da revolução industrial no século XVIII, e com ela cristalizou-se o conceito que o capitalismo era o melhor sistema para gerenciar as relações entre a extração da matéria prima, a produtividade e o consumo. Esta visão da sociedade ocidental, posteriormente, como acabou acontecendo, tornou-se a visão do mundo. Entretanto, para viabilizar todos estes eventos havia outro desafio a ser vencido. Era imprescindível que a religião fosse despida da aura de sacralidade que havia assumido e que essa fosse transferida para a ciência, extinguindo, assim, os dogmas e as inverdades religiosas que só serviam para bloquear o desenvolvimento da humanidade.
Feito isso, por conseqüência indireta, desenvolveu-se a crença que as culturas não ocidentais - por não se terem desenvolvido cientificamente - poderiam ser consideradas sub-culturas. Um excelente pretexto para que a Europa “civilizada” pudesse colonizar e explorar os demais povos.
Com a possibilidade – este era o compromisso - de se dominar a natureza, todas as promessas de felicidade que o capitalismo cientificista garantia, pareciam estar ao alcance da mão. Todavia, não só jamais se realizaram, mas a atividade que o homem começou a desenvolver perseguindo este objetivo acabou se transformando em um pesadelo: por um lado há a falta de alimento e a total insuficiência de conforto material nos países mais pobres do terceiro mundo, e do outro, nos paises ricos - enquanto atrás da cortina que tenta esconder a indigência se perpetua a revolta que se transforma em violência assassina sem o mínimo desconforto – há a adversidade psicológica, os desequilíbrios emocionais e os suicídio, efeitos colaterais do consumismo exagerado e do conseqüente irrefreável desejo de possuir e usufruir cada vez mais.
O paradigma vigente vê o mundo como uma imensa maquina composta por milhões de conjuntos e subconjuntos mecânicos formados por bilhões de peças, tudo retirável e substituível. Em síntese, a visão mecanicista desenvolvida pela ciência que hoje envolve a humanidade como um todo. Mas, o que é a visão mecanicista? De acordo com as explicações dos dicionários temos:
Mecânica = ciência que tem por objeto o estudo das forças ou da sua ação. Combinação de órgãos próprios para produzir ou para transmitir os movimentos. Estudo das máquinas, da sua construção e de seu funcionamento. Mecânica celeste, mecânica ondulatória, mecânica quântica. E relativo à mecânica, às leis do movimento e do equilíbrio. Diz-se daquilo que é maquinal, impulsivo, automatizado, ou que age exclusivamente segundo as leis do movimento e das forças.
Nessa estrutura, o pensamento dominante considera que tudo é separado de tudo, o que inclui pessoas, seja como seres, como organismos, sociedades e culturas, assim como bairros, cidades, estados e paises. Não satisfeito com isso, o paradigma continua buscando as menores unidades da natureza fazendo da análise sem fim o único modo correto de entender as coisas, dando propositadamente as costas às características próprias de um conjunto ou de um todo complexo. Obedecendo este modelo, o homem persiste em construir mapas e teorias cada vez mais detalhadas em suas minúcias, acreditando – por ser o paradigma - que a sua obra é a efetiva descrição da realidade.
O maquinicismo está enraizado na física de Newton, porque foi ele que comparou o universo a um grande relógio e Deus a um relojoeiro. Como um relógio, o universo possue um “mecanismo” que o faz funcionar perfeitamente porque sempre mede o mesmo tempo. Estas considerações levaram Newton a ter como certo que o universo possuía leis endógenas – que se formam no seu interior - assim sendo, era necessário decompô-lo no nível de suas menores partes para compreendê-lo. Conclui-se assim que a ciência moderna é uma ciência de decantação, de decomposição e de fragmentação.Ninguém escapa disso.
Entre todos os segmentos da ciência, a física se tornou a “prima-dona” porque conseguiu comprovar que os fenômenos possuem leis, logo, não acontecem por acaso. A partir deste fato admitiu também o inverso: se não há leis comprováveis, também não há fenômenos. Dogmatizado este aspecto, se alguém afirma que existem, não é ciência, mas esoterismo.
Descartes levou isso ao plano filosófico. Ele tanto influenciou a chamada modernidade que ainda hoje a ciência é sinônimo de chave dos conhecimentos. O exemplo mais obvio é a medicina. Vai-se a um cardiologista por um problema cardíaco e ele receita um remédio para o coração. O resultado aparentemente é bom, mas logo depois aparece um problema colateral no intestino. Procura-se então um especialista nessa área e ele receita um medicamento para o intestino. Toma-se a medicação e aparece a insônia. Para curá-la é receitado um calmante que depois de algum tempo começa a causar tontura e dor de cabeça e assim sucessivamente.
Esta crença na fragmentação das coisas assume formas sutis e extremamente refinadas nas teorias científicas, perpassando, até, devido à conceituação materialista que lhe é implícita, a obra Divina. Explica-se, assim, à fúria cega na perseguição da clonagem quando se encerrava o segundo milênio, mesmo depois de todos os insucessos. A perplexidade e o insaber diante de quadros genéticos idênticos pertencentes a seres distintos, finalmente, no aspecto da clonagem humana, levou a melhor.
Entretanto, a idéia que o corpo humano é uma máquina, aonde o coração, o fígado e os rins, assim como todos os demais órgãos são meras peças substituíveis - dai a falsa idéia que utilizando células tronco é possível produzir braços, pernas, enfim, as peças necessárias para manter a “máquina homem” em perfeitas condições quando há insuficiência de doadores - ainda vai se manter acesa por algum tempo.

Seul, 20 mar (EFE).- A Universidade Nacional de Seul anunciou hoje a demissão do geneticista sul-coreano Hwang Woo-suk por causa da manipulação de dados em experimentos sobre a clonagem de embriões humanos
Além disso, a entidade comunicou que outros seis professores que participaram das pesquisas de Hwang serão punidos com o afastamento de seu cargo durante dois ou três meses e reduções de salários segundo o seu grau de participação.
Hwang pediu desculpas e anunciou em dezembro sua demissão, depois que o comitê universitário confirmou que o cientista manipulou dados da clonagem de embriões humanos para apresentá-los em 2005 na revista "Science", mas sua condição de acusado o impediu de se retirar de seu cargo.
A revista "Science" publicou em maio de 2005 que a equipe de Hwang tinha obtido 11 células-tronco de embriões humanos a partir de 185 óvulos, e que tinha conseguido, pela primeira vez na história, clonar embriões humanos e extrair deles células-tronco.
A revista "Science" se retratou da publicação do estudo e admitiu que a pesquisa tinha sido fraudada.Os resultados definitivos da investigação da Promotoria sobre as pesquisas do cientista sul-coreano serão publicados no inicio de abril.
O geneticista tinha defendido a veracidade de sua conquista e atribuiu toda a polêmica gerada pela fraude a seus pesquisadores.
O reitor da Universidade Nacional de Seul, Chung Un-chan, pediu em janeiro perdão pela falsificação dos resultados do cientista e exigiu a punição dos envolvidos no caso.O escândalo comoveu a opinião pública sul-coreana e destruiu a reputação do sistema científico sul-coreano. EFE ce dgr/af
Fonte: Yahoo Noticias

No século XIX Wilhelm Wundt, filósofo e psicólogo alemão, seguindo a tradição empirista britânica calcada na física de Newton, atomizou a mente tentando encaixá-la dentro de parâmetros mecanicistas da ciência de sua época, devido ao sucesso da física clássica e o respeito que merecia, afirmando que não passava de um epifenômeno bioquímico, assim como a urina é um epifenômeno dos rins.
O desagrado ao modelo mecanicista e da sua conseqüente visão de mundo, foi expresso claramente por grandes cientistas. Entre eles, Erwin Schrodinger e Albert Einstein.
Erwin Schrodinger: O quadro científico do mundo real à minha volta é muito deficiente. Ele nos dá muitas informações factuais, coloca toda a nossa experiência numa ordem magnificamente consistente, mas mantém um silêncio horrível sobre tudo o que está realmente próximo dos nossos corações, de tudo aquilo que é realmente valioso e caro em nossas vidas, ou o que realmente nos interessa. Este quadro não nos pode dizer nada sobre o valor do vermelho ou do azul, do amargo ou do doce, da dor ou do prazer, e muito menos a respeito do belo ou do feio ou do bom ou do ruim. Alem disso, é incompetente para dizer qualquer coisa válida sobre Deus e a eternidade.
Albert Einstein: O ser humano vivência em si mesmo seus pensamentos como algo separado do resto do universo, numa espécie de ilusão de ótica de sua consciência. E essa ilusão é uma espécie de prisão que nos restringe a nossos desejos pessoais, conceitos, e ao afeto pelas pessoas que nos são mais próximas. Nossa principal tarefa é a de nos livrarmos desta prisão, ampliando o nosso círculo de compaixão, para que ele abranja todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza. Ninguém conseguirá alcançar completamente este objetivo, mas lutar pela sua realização já é por si só parte da nossa liberação e o alicerce da nossa segurança interior.
A mente, no que diz respeito à área que lhe permite a intuição, é um dom sagrado, e a capacidade de raciocinar deveria tão somente auxiliá-la a diferenciar o bem do mal. Entretanto, criamos uma sociedade cientifica que valoriza a racionalização e despreza o dom de discernimento.
A ciência sem religião é trôpega, mas a religião sem a ciência é cega. A minha religião consiste em uma humilde admiração pelo ilimitado Espírito Superior que revela a si mesmo nos mínimos detalhes que a nossa mente fraca e débil é capaz de perceber.
Esses textos refletem o pensamento de dois cientistas que em suas pesquisas não se ativeram aos limites impostos pelo paradigma de seu tempo, por entender que, na ótica de Albert Einstein:
“Tanto mais cresce a evolução da raça humana, tanto mais correta me parece àquela senda que leva a uma interpretação religiosa que se furta de repousar no medo da vida, no medo da morte e na fé cega. Todas as pessoas que seriamente se doam à pesquisa cientifica, no tempo convencem-se que nas leis do universo se manifesta um Espírito - um Espírito incomparavelmente superior aquele do homem, diante do qual, a humildade com seu modesto poder, só pode se sentir humilde. O sentimento religioso de alguns cientistas se transforma em um autentico entusiasmo diante da harmonia das leis naturais que revela uma inteligência de tal superioridade que, comparada com ela, todo o sistemático pensamento e ação do gênero humano não passa de um reflexo totalmente insignificante”.
Infelizmente, os grandes homens ainda são poucos, e estes se distinguem porque suas incomparáveis obras são pautadas pela humildade, enquanto que os que se julgam os maiores em verdade não o são porque são movidos à vaidade.
O escritor Checo Milan Kundera certa vez disse: Nossas prateleiras universitárias estão repletas de pesquisas que foram consideradas “esotéricas”, e devido a isso, com pouco ou nenhum valor para a ciência moderna. Parecem cemitérios, ou nem mesmo isso, porque estes são visitados pelo menos uma vez por ano. Isso acontece porque a ênfase é dada apenas ao racional, uma vez que, como vimos, é desta forma que o lucro é maximizado. Infelizmente, entretanto, esta ótica só permite uma visão unilateral e hipertrofiada, e a prova disso é a situação caótica em que se encontra o nosso mundo.

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